sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O NATAL QUE EU QUERIA

Eu queria passar este natal com as mães indígenas da ATINI, festejando ao redor do fogo de lenha. Iriámos assar tambaqui e bolo de milho na folha de bananeira. As famílias kamaiurá trariam sal de aguapé com pimenta jiquitaia. As suruwahá trariam mingau de pupunha fermentada e cachos de muratinga bem vermelhinha. Teríamos também beiju com castanha do Pará e o Suzuki prepararia um suco de guaraná natural à moda sateré-mawé.
 
A fogueira seria grande, bem no meio do terreiro, com os banquinhos de toco de pau espalhados em volta.

Iríamos nos divertir com as gargalhadas da criançada brincando, umas subindo nas árvores, outras atirando gravetos ao fogo. Os menores estariam mamando, ou embalados em suas redinhas atadas nas mangueiras ao redor. O som de diversas línguas iria se misturar com o crepitar da lenha no fogo e com o barulho do vento frio soprando na folhagem.

Nossa conversa mais uma vez iria se voltar para nossas crianças. Pela enésima vez elas iriam contar como salvaram seus bebês, ou iriam explicar porque fugiram da aldeia. Iriam lamentar mais uma vez as crianças que viram morrer, que não puderam salvar. Uma delas se lembraria dos anos que teve que manter sua filha escondida no escuro, afastadas dos olhos da comunidade. Hakani, sentada perto de mim e se metendo na conversa, iria acrescentar sorrindo a mesma coisa que ela me diz todos os dias: “Mamãe, que bom que eu sou gente!”.




Depois seria minha vez de falar. Eu iria respirar fundo e contar sobre uma outra mãe sofredora. Uma que tinha engravidado antes do casamento, e que tinha sofrindo com os olhares atravessados da comunidade. Uma moça nova, bonita, muito séria. Para surpresa de todos, o jovem a quem ela tinha sido prometida decidiu se casar com ela assim mesmo e assumir a criança. Apesar disso os líderes da comunidade não queriam que aquele bebê vivesse. A medida que a barriga crescia o medo e a vergonha da moça só faziam aumentar. O que aconteceria com seu bebê? Será que ela conseguiria protegê-lo dos que queriam sua morte?

Enquanto eu contasse as mulheres e crianças parariam tudo e ficariam em silêncio. Eu saberia exatamente o que ia no coração delas – a maioria já tinha passado por isso. Cada uma delas teria que se segurar para não me interromper perguntando “Já nasceu? Será menino ou menina? Será que eu posso cuidar do bebê? Ela podia vir morar aqui com a gente…”

E eu continuaria contando. O bebê nasceu, sim, era um menino lindo… mas ainda podia ser morto a qualquer momento. Maria tinha que escondê-lo o tempo todo, e essa tensão era insuportável. Até que numa noite um anjo falou a José. “Pegue sua esposa e o menino e fuja daqui!” Prontamente José fugiu com eles para uma terra distante, onde poderiam criar o menino em segurança.

“Não, minhas amigas, este bebê nós não precisamos salvar; foi ele quem nos salvou. Esse menino é o Principe da Paz, o Verbo de Deus que virou gente e caminhou entre nós. Podemos, sim, acolhê-lo em nosso coração, convidando-o entrar e fazer morada.”

A essa altura da conversa o fogo estaria se apagando e as crianças adormecendo em nossos braços…

Amigos,
 
Depois de muitos e muitos natais desfrutados com os povos indígenas, este ano será diferente. Como alguns de vocês já sabem, Suzuki e eu temos vivido por vários anos sob vigilância, sofrendo falsas acusações, difamação, intimações, interrogatórios e até ameaças de morte, devido ao nosso trabalho em defesa das crianças indígenas. Sempre contamos com o apoio e as orações de muitos irmãos em Cristo como você, e por isso conseguimos suportar essa pressão por anos e continuar avançando na luta, com muitas vitórias.
 
Entretanto, no início de 2011, ameaças de que a adoção da Hakani estaria prestes a ser invalidada, e de que ela poderia ser afastada de nós a qualquer momento, nos levou a decidir sair do país. Nós tomamos esta decisão com muita seriedade seguindo o conselho de diversos pastores e líderes espirituais, de nossos advogados, de um juiz da infância e da nossa família. Entendemos que neste momento o Brasil não é um lugar seguro para nós, especialmente para a Hakani. Precisamos muito das suas orações e do seu apoio neste momento nossa vida.



A VOZ DA ATINI ECOANDO LÁ FORA

“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos.” 2 Coríntios 4:8-9

Estamos iniciando um movimento para levar a VOZ da ATINI para além das fronteiras do Brasil. Deus está abrindo portas e já enviou a primeira parceira – Katrina, uma professora americana que largou tudo para se juntar a nós.

“Em julho de 2011, eu viajei para o Havaí para visitar alguns amigos. A viagem acabou rendendo muito mais do que eu imaginava. Lá eu conheci a família Suzuki, ouvi a história deles e imediatamente me apaixonei pela Hakani. Fiquei profundamente tocada ao saber que ela sobreviveu de maneira tão milagrosa. Quando minhas férias terminaram eu voltei para casa, sem imaginar que eu iria pedir as contas no meu emprego e comprar uma passagem só de ida para o Havaí.  Mas de repente eu tive certeza que alguma coisa em meu coração havia mudado para sempre. Eu senti um urgência desesperada de servir esta família incrível de alguma forma. Então deixei meu emprego e me mudei para Kona – desde setembro eu sou a professora de inglês e de matemática da Hakani no Learning Center da Jocum. A cada dia sinto mais certeza de que aqui é exatamente o lugar onde Deus me quer. E eu me sinto honrada em apoiar a família Suzuki  em seu ministério em prol das crianças indígenas do Brasil.”   Katrina De Martini

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

FAMÍLIAS DA ATINI AMEAÇADAS

INDÍGENAS SOFREM COM PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA


Acusação de "Cárcere Privado"

Por favor, orem pela situação de famílias indígenas atendidas pela ATINI, que estão sofrendo pressões de todo tipo para se afastarem dos missionários. A ATINI é uma ONG fundada por missionários, que atende famílias indígenas que decidiram sair de suas tribos para preservar a vida de crianças que corriam risco de infanticído ou de forte discriminação e suas aldeias de origem.

Algumas destas famílias atendidas pela ONG estão sob forte ameaça de serem forçadas a voltar para suas tribos de origem. Algumas mães entram em desespero, pois afirmam que se voltarem, sabem que suas crianças vão acabar morrendo, sem tratamento médico e num ambiente de rejeição devido às suas necessidades especiais.

Uma das mães inclusive diz que se for forçada a voltar, sua tristeza vai ser tão grande que ela vai tomar veneno. Ela sabe que a tribo não aceita a deficiência de sua filha e quer ter o direito de continuar na cidade para que ela continue recebendo acompamento médico. Essas famílias se mudaram para lá voluntariamente, amam a chácara da ATINI, que chamam de "Casa das Nações". São livres para voltar para a aldeia no momento que desejarem, mas elas afirmam que não se sentem seguras para voltar, e temem pela vida de seus filhos.

Mesmo assim, algumas pessoas ligadas a setores que não aceitam o trabalho da ATINI, por ter sido formada por missionários evangélicos, estão acusando a ONG de manter famílias indígenas em "cárcere privado", e estão se articulando na justiça para "libertá-las" desta suposta prisão.

Interrogatórios e ofertas de propina

Orem também por firmeza e coragem para alguns indígenas que têm sido interrogados sobre suas relações com os missionários ligados à ATINI. Alguns destes indígenas tem inclusive recebido ofertas de "benefícios financeiros" para depor contra a organização. Temos tudo isto documentado, relatado pelos próprios indígenas envolvidos.

Algumas famílias atendidas não vivem na chácara, mas recebem mensalmente uma contribuição financeira do programa de apadrinhamento da ATINI. Essas famílias moram em seus estados de origem, próximos de suas comunidades indígenas. Precisam desta pequena ajuda mensal para que possam criar seus filhos fora da aldeia, crianças que foram rejeitadas por serem gêmeos ou por outras razões. Acontece que algumas destas família tem sido "aconselhadas" a desisitrem de receber essa ajuda mensal da ATINI. São famílias que sempre contaram com nossa ajuda financeira, mas que subitamente começam a dispensá-la. Quem estaria por trás disto?

Enquanto isso, muitas crianças continuam morrendo

Orem pela vida das crianças em aldeias onde ainda se pratica o infanticídio. Segundo informações de enfermeiras que coordenam a saúde indígena em Roraima, em cada grupo de 50 crianças que morrem antes de completar 1 ano de idade, 40 delas teriam sido sufocadas com folhas logo depois do parto. Nestas comunidades são rejeitadas crianças deficientes, gêmeas, e também crianças que nascem antes do intervalo desejado de 2 a 3 anos entre as gestações.

Recentemente a ATINI recebeu a denúncia sobre uma criança de uma tribo de Minas Gerais de 1 ano, que deu entrada num hospital de BH com gravíssimo traumatismo craniano. A denúncia foi feita pela médica que atendeu a criança. O acompanhante da criança relatou que o bebê tinha nascido de parto gemelar e que tinha sido espancado pela família. Este mesmo acompanhante alertou a médica que se a criança retornasse para a aldeia com certeza seria morta. Orem pelo bebê que continua internado em estado grave, e por uma intervenção das autoridades mineiras para que ele não seja levado de volta para a aldeia.



Por fim, orem por recursos financeiros e obreiros para a ATINI para que possamos ajudar um número maior de crianças. A ATINI não pode parar, precisamos construir mais casas para receber outras famílias em situação de risco. Precisamos de profissionais missionários que possam cuidar delas. A vida é um dom de Deus e toda criança tem o direito de desfrutar deste dom, com dignidade e em segurança. Independente da origem étnica, criança é criança. E a Palavra de Deus nos exorta a "abrir a boca a favor daqueles que não tem voz" (PV 31.8)



Kaiti, Iganani e Kaluanã são alguns dos muitos que agradecem sua ajuda. E nós, continuamos contando com suas orações e apoio,


Edson e Marcia Suzuki

DOAÇÕES PARA A ATINI PODEM SER FEITAS ATRAVÉS DA SEGUINTE CONTA BANCÁRIA:

ATINI - VOZ PELA VIDA
AG. 2727-8
CONTA CORRENTE 13.645-X
BANCO DO BRASIL

CNPJ 08.580.772/0001-51

domingo, 19 de junho de 2011

TEMPO DE ESPERANÇA

Queridos amigos e parceiros de caminhada,

"A tristeza pode durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer."
(Salmo 30.5)

Suzuki e eu temos visto surgir alegria onde antes só havia tristeza. Apesar de tantas decepções no cenário político de nosso país, temos visto brotar esperança nos lugares onde menos se espera...

... na Câmara dos Deputados, por exemplo!

No Dia do Índio, uma sessão solene homenageou os povos indígenas. Sentada à mesa no salão nobre, em posição de honra, lá estava uma mulher indígena simples, uma guerreira que aprendeu a guerrear com a palavra, com a verdade e com a oração. Lili Terena,  uma das guerreiras da ATINI, vestia uma camiseta na qual se estampava "PELO DIREITO À VIDA DAS CRIANÇAS INDÍGENAS". Mensagem silenciosa, mas poderosa , que marcava o início de uma mudança dentro daquela Casa de Leis.

Poucas semanas depois, a Lei Muwaji era aprovada por unanimidade na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Após anos de luta, lágrimas e oração de centenas de irmãos por todo este Brasil, surge uma esperança. Depois de passar na comissão considerada a mais complicada pelos especialistas, o PL ganha um novo status.  De acordo com o texto aprovado, o governo terá obrigação de conscentizar as aldeias e providenciar apoio para evitar a morte de crianças em risco por razões culturais. Ainda faltam alguns passos até a lei ser finalmente assinada pela Presidente Dilma, mas com certeza estamos mais próximos.

Na semana seguinte mais um avanço no Congresso - a discussão chega a Comissão de Seguridade Social e Família. Numa Audiência Pública para discutir a siruação das crianças com problemas de saúde nas adeias indígenas, deputados de diversos partidos e outras autoridades assistiram "Quebrando o Silêncio", o documentário dirigido pela jornalista indígena Sandra Terena. Depois de ouvirem por 30 minutos o testemunho de pais e mães que saíram das aldeias para salvar a vida de suas crianças, os deputados estavam comovidos. Depois de ouvir o discurso da Sandra Terena, e do Edson Bakairi - antropólogo social indígena e sobrevivente de infanticídio, todo o plenário estava tomado de emoção. Todos os deputados presentes, de vários partidos, tomaram posição pela vida das crianças indígenas. Vários compromissos foram firmados ali e iniciou-se uma nova fase na luta pela vida das crianças indígenas.


... na Casa das Nações

Nossa aldeia multi-cultural urbana continua crescendo. Mesmo com dificuldades financeiras e com poucos obreiros, nossas crianças tem tido a oportunidade de receber educação de qualidade. A pedagoga missionária Vanilda Malagutti está à frente do Centro de Educação Diferenciada e Reforço Escolar da ATINI, atendendo diariamente a um grupo de 20 crianças das etnias waura, kamaiurá, sateré-mawé e suruwahá. Na nossa escola a palavra chave é inclusão. Crianças rejeitadas por diversas razões encontram ali um ambiente de aceitação e dignidade. Tiago e Débora são missionários educadores que também tem se dedicado à educação de nossas crianças.






A mais nova família da ATINI...


Neste ano a Casa das Nações teve a alegria de receber mais uma família. Tejuyalo Waurá deixou sua aldeia para garantir a vida e o acesso ao tratamento médico de seu filho Yuri, que sofre de má formação craniana. Na aldeia sua vida estava ameaçada, mas na Casa da Nações sua mãe encontrou um ambiente seguro e tranquilo para criar o pequeno Yuri. Aos poucos, Tejuyalo, Yuri e Seni vão se adaptando e construindo seu destino nesta aldeia refúgio que é a Casa das Nações.  Outras famílias esperam na fila, mas infelizmente não temos como recebê-las ainda. Precisamos de mais obreiros  e de mais recursos.





Fisoterapia em Casa

Graças a chegada do casal de missionários Wagner e Simone, da JOCUM de Porto Velho, nossas crianças com necessidades especiais passam ater um atendimento mais adequado na própria chácara. Dr. Wagner é fisoterapeuta e está trabalhando com cada criança de acordo com suas necessidades, evitando que elas precisem se deslocar até o Plano Piloto a cada sessão de fisioterapia. Glória a Deus por esta família missionária!

Necessidades de Oração

  • Orem para que Deus levante mantenedores para a ATINI. Desde o ano passado as ofertas diminuíram muito e isso tem afetado o nosso atendimento, infelizmente. Yuri até hoje está esperando recursos para realizer exames necessários para que seu diagnóstico seja fechado. Comprar alimentos, material escolar, combustível, remédios e órteses para as crianças tem sido um desafio diário e nós precisamos muito de ajuda.

  • Orem para que o Senhor envie obreiros. Nosso ministério necessita de enfermeiros, administradores, professores, cozinheiras, cuidadores, construtores, motoristas... enfim, tem lugar para profissionais de todas as áreas. O mais importante é que se tenha amor, seriedade e sensibilidade cultural. Orem conosco para que o Senhor envie mais obreiros, índios e não índios, para dar continuidade a esta obra.

  • Orem por sabedoria e fortalecimento espiritual para os missionários que trabalham na Casa das Nações. Eles enfrentam diariamente enormes desafios e precisam de graça e força para que sejam testemunhas do Reino no meio de culturas tão diferentes da nossa. Orem para que eles sejam protegidos de todo o mal.

Projeto Uniskript

Suzuki, Hakani e eu estamos novamente no Hawaí, trabalhando no projeto missionário Uniskript. Desde que chegamos estamos envolvidos na finalização do material de alfabetização na língua nativa do Havaí. Temos um grupo de professores e líderes havainos dedicados e muito motivados, trabalhando conosco na produção deste material. É lindo ver como eles amam este alfabeto, como sentem que ele vai ser um instrumento na revitalização da língua e também no avivamento, não só do Havaí mas também das demais ilhas do Pacífico. O próximo passo será a produção do Novo Testamento usando o alfabeto Uniskript, que na língua deles se chama Haaleo - Ki'i Leo Kani. Tanto adultos quanto adolescentes e crianças estão aprendendo rapidamente este novo e revolucionário alfabeto. Ele é tão lógico e intuitivo que pessoas aprendem a ler em apenas um dia!

 


Nossa família

Hakani, como sempre, feliz de estar morando nesta ilha cheia de vulcões. Ela já concluiu o ano letivo, dando continuidade ao que ela estava cursando na Escola Internacional de Brasília. A formatura foi uma linda cerimônia na praia , junto com filhos de missionários de várias partes do mundo.
Concluímos também recentemente as entrevistas para o nosso livro. Jemimah Wright, uma jornalista e escritora inglesa estava trabalhando há alguns anos num livro sobre nossa caminhada missionária e nossa luta pelos direitos das crianças indígenas, e o livro finalmente ficou pronto. Em poucos meses ele será publicado aqui nos Estados Unidos e será um testemunho, para outras nações, daquilo que Deus tem feito no Brasil, no meio dos povos indígenas.

Somos muito gratos pela sua parceria, por suas orações e pelo seu apoio à causa das crianças indígenas. Fiquem atentos pois logo estremos passando mais detalhes sobre os próximos passos  Lei Muwaji.

Com carinho,

Suzuki e Marcia

quarta-feira, 20 de abril de 2011

DIA DO ÍNDIO - SESSÃO SOLENE NA CÂMARA DOS DEPUTADOS









No dia do Índio os deputados Roberto Lucena e Sarney Junior realizaram uma sessão solene na Câmara dos deputados em homenagem aos povos indígenas. A sessão foi aberta com um vídeo produzido pela assessoria do deputado Lucena - o vídeo mostra a Hakani e muitas das crianças atendidas pela ATINI. Makaulala Kamayurá e Muwaji Suruwahá estavam presentes no plenário e foram homenageados por sua coragem de deixar seu povo para lutar pela vida e tratamento médico de suas crianças, portadoras de deficiência. Muwaji entoou um bonito hino de esperança e comoveu a todos.

Os deputados João Campos, Henrique Afonso, Roberto Lucena, Rosinha da Adefal, dentre outros, fizeram emocionantes e corajosos discursos defendendo o direito das crianças indígenas à vida, ào tratamento médico, à dignidade e a educação de qualidade.


Na tribuna estava presente a guerreira indígena Lili Terena - mulher corajosa que não guerreia com arco e flecha, mas com a a Palavra. A camiseta de Lili já dizia tudo:


PELO DIREITO À VIDA DAS CRIANÇAS INDÍGENAS!


Parabéns aos povos indígenas por sua resistência incansável e por sua luta pela vida e pela dignidade.


















quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Mais uma bebê em risco!!!

JAKU'I - A PRINCESINHA DOS ÍNDIOS



Essa linda menina nasceu numa das aldeias brasileiras que ainda sacrificam crianças. Vamos chamá-la aqui de Jaku'i, que significa "princesa dos índios". Jaku'i nasceu de uma relação proibida e a mãe não pode ficar com ela. A esposa do cacique decidiu adotá-la, mas não está aguentando a pressão da comunidade e não quer mais ficar com ela. Ajude-nos a orar pela Jaku'i - ela corre risco de vida e precisa de ajuda. Precisamos de sabedoria para intermediar essa situação e encontrar um solução nos próximos dias!










































































terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dois bebês em risco - a menina foi salva, o menino está desaparecido...

E a cova dela ficou vazia...




A jovem indígena se separou do marido nos primeiros meses da gravidez. A tradição determinava que a criança fosse enterrada viva logo após o parto. Geralmente o buraco fica pronto e a mãe já dá à luz em cima da cova - assim ela nem vê o rosto da criança. Mas esta jovem pensava diferente. Não podia ficar com o bebê, mas não queria enterrá-lo. O cacique da aldeia percebeu a dor e decidiu pedir ajuda à ATINI. Ele sabia que um parente deles morava na chácara da organização e pensou: "Quem sabe ele não quer adotar a criança?"

Nossa equipe foi acionada e a mãe foi resgatada a tempo - a menina nasceu segura em Brasília. A pedido do cacique, a própria FUNAI entrou no caso e providenciou rapidamente toda a papelada para a adoção. A cova da pequena Kaiti foi fechada e hoje ela vive em segurança com sua nova família na chácara da ATINI!

Mas o outro bebê está desaparecido...

O pequeno Atuka nasceu numa aldeia do Mato Grosso do Sul. Seus pais o amaram e cuidaram dele com carinho. Mas aos poucos começaram a achar que o menino tinha "problema espiritual", provavelmente "feitiço". O menino não se desenvolvia direito, chorava o tempo todo, o corpinho foi ficando rígido e sem movimentos. Percebendo estas dificuldades a mãe entrou em desespero e começou a se afastar da criança. O medo e a falta de informação tomaram conta dela.

Sem alimentação e cuidados adequados, os problemas de Atuka só foram se agravando. Recentemente ele foi internado em estado de desnutrição grave e quase morreu. Seria mais um dos muitos casos de morte de criança indígena por "desnutrição". Apesar da gravidade a criança sobrevivou. Mas aos médicos, sabendo dos problemas culturais, não comunicaram à família o diagnóstico de paralisia cerebral.

Já de volta à tribo, a mãe continua tendo as mesmas dificuldades para alimentar a criança adequadamente. O pastor indígena da aldeia percebeu a luta da mãe e começou a acompanhar a família de perto. Percebeu que Atuka continua em risco do que chama de "infanticídio disfarçado" e recomendou que a família fosse para a ATINI para receber ajuda. O pai poderia trabalhar na chácara, a criança receberia acompanhamento médico adequado, e a mãe passaria por um trabalho de reeducação para que aprendesse a lidar com as dificuldades do filho.

A pedido deste pastor indígena, uma equipe da ATINI foi acionada. Mas a mãe, amedrontada e acreditando que só pajelança pode curar o menino, fugiu com ele para uma aldeia vizinha. Neste momento o pastor está tentando localizar a família e descobrir a melhor maneira de salvar a vida da criança.

Pedidos de oração:
  • Orem conosco para que a vida do pequeno Atuka seja poupada.
  • Orem para que a menina Kaiti cresça feliz e saudável com sua nova família.
  • O orem para que os pastores indígenas do CONPLEI se envolvam mais e mais nesta questão do infanticídio.
  • Orem para que a ATINI continue sendo usada para trazer esperança e dignidade para as crianças indígenas.
Nossa família:

Hakani continua se desenvolvendo muito bem, falando inglês, tirando boas notas e aprendendo a dançar Hula. O mais bonito é que ela tem desenvolvido um grande senso de compromisso social com as crianças indígenas, e tem sido uma voz poderosa por onde ela passa.

Suzuki e eu estamos na fase de finalização do alfabeto Uniskript. Já temos o alfabeto pronto, com fonte e keyboard funcionando para 4 línguas diferentes. Completamos na semana passada o Evangelho de João numa língua da Ásia. Ontem completamos o mesmo Evangelho na língua havaiana. Estamos empolgados com a aceitação do alfabeto principalmente nas ilhas do Pacífico, e com a possibilidades que se abrem para a educação e para a comunicação das Boas Novas entre estes povos.

Orem conosco por esses dois últimos meses de trabalho intenso aqui em Kona, e pelos preparativos para nossa volta ao Brasil. Estamos com saudades e sonhando com nosso dia-a-dia com as família indígenas da Casa das Nações.

Muito obrigada por fazer parte da nossa vida.

Edson e Márcia Suzuki

terça-feira, 27 de julho de 2010

MARINA SILVA, POTIRA E OS MILAGRES AMAZÔNICOS


Esta é uma daqueles cenas que a gente custa a apagar da memória. No meio de uma conferência importante, de gente grande, eis que uma menininha linda e despachada se aproxima da ilustre preletora. Com toda desenvoltura entrega-lhe um colar indígena, tasca-lhe um beijo estalado e posa sorridente para as fotos.

A preletora ilustre chama-se Marina Silva. A indiazinha despachada será chamada aqui de Potira.

Quanto mistério, quanta dor, e quanta esperança este encontro evoca. As duas nasceram na floresta amazônica, as duas enfrentaram a dureza da vida na mata. As duas estavam destinadas a engrossar as fileiras de brasileiras excluídas, anônimas e invisíveis.

Marina nasceu filha de seringueiro, tomou muito banho de igarapé e comeu pirarucu com farinha nas beiradas dos rios. Potira nasceu filha de índia solteira e por isso não chegou a comer nada, não tomou banho, nem lhe cortaram o cordão umbilical.

Marina ouvia as histórias do avô enquanto espiava a chama fina da lamparina nas noites escuras da mata. Potira não ouviu nada, só o choro abafado da mãe, obrigada a abandoná-la na floresta por conta da sua solteirice.

Marina imaginava o futuro enquanto se embalava na rede e sonhava um dia aprender as letras. Potira não teve rede, foi enrolada numas folhas de bananeira brava e largada perto de um toco de pau na beira da capoeira.

Marina se vestia com camisa de manga comprida para se proteger dos carapanãs e dos marimbondos, enquanto seguia o pai pelas picadas estreitas do seringal. Potira não conseguiu se proteger das formigas que se aproximaram e começaram a comer a placenta ainda ligada ao seu corpinho recém-nascido. Nem dos insetos que picaram suas pernas e seu rosto naquela noite comprida e chuvosa.

Marina mudou seu destino quando desafiou a sorte - teve coragem de pedir ao pai que a deixasse sair para estudar na cidade grande. A esperança de Potira surgiu quando duas tias decidiram escondê-la numa roça velha e correr por 4 horas na mata até o acampamento dos missionários.

Marina esperou até os 16 anos para conseguir decifrar as primeiras letras do alfabeto. Potira esperou 36 horas na mata até ser resgatada e salva da morte.

Dois milagres, duas histórias de superação, de desafio às leis da probabilidade. Marina aprendeu a ler no Mobral, veio a ser professora, doutora, senadora, ministra. Hoje é candidata a presidência da república. Potira foi adotada por uma professora paulistana casada com gaúcho, e ganhou duas irmãs rondonienses. É a caçula e o xodó da família.

O encontro da foto aconteceu recentemente num grande evento público em Brasília. Potira entregou a Marina Silva o colar em nome das crianças indígenas sobreviventes do infanticídio que são atendidas pela ATINI.

Em seguida, Kakatsa Kamaiurá, secretário geral da organização, também sobrevivente, tomou o microfone e fez seu apelo. Queria saber de Marina se ela se comprometia a defender o direito das crianças indígenas em risco de infanticídio. Marina respondeu emocionada que toda criança tem direito à vida e que ela priorizaria, em seu governo, os direitos dessas crianças.

Potira saiu toda saltitante, rindo orgulhosa por ter tirado foto com uma mulher tão importante.

.......

Eu conheço a Marina pessoalmente, ela acompanha nossa trajetória desde 2005 e já me ouviu por mais de uma hora atentamente em seu gabinete. Mostrou sensibilidade e nos encorajou muito em nossa luta pela dignidade das crianças indígenas. É a única que recebe os indígenas, que os escuta. É também uma crente comprometida, verdadeira, e uma pessoa de confiança e capacidade administrativa.

Eu "marinei" definitivamente. Convido você a ler os 12 pontos do texto abaixo e a se cadastrar no site http://www.movimentomarinasilva.org.br/
para apoiar a candidatura da Marina. Vamos acreditar em milagres e lutar contra as probabilidades!
12 razões porque eu apoio a candidatura de Marina Silva à presidência do Brasil.
(Glayson Ferrari)
  • Tem causa
A causa de Marina Silva é a causa do planeta, da qualidade de vida tanto hoje quanto no futuro. É a nossa causa, dos nossos filhos, dos nossos netos, de toda a nossa descendência.
  • Quer desenvolvimento sustentável
    Marina Silva está em sintonia com os desafios do século 21. Ajudará o Brasil crescer, mas sabe que o crescimento é só uma ferramenta para que o país atinja o desenvolvimento econômico, social, ambiental e cultural, o verdadeiro desenvolvimento sustentável.
  • Conhece a pobreza
    Marina é Silva. Como a maioria das gentes no Brasil, nasceu pobre. Com força de vontade, com escola e com a ajuda de pessoas boas, superou tudo.
  • Valoriza a educação
    Alfabetizada aos 16 anos, tornou-se professora, vereadora, deputada estadual, senadora e ministra.Sabe da importância da educação. Seu projeto transformará o Brasil num país do conhecimento.
  • Dará oportunidades para todos
    Marina Silva oferece ao país a terceira geração dos programas sociais, com a capacitação e a inserção dos beneficiados no mercado de trabalho, de acordo com os potenciais de cada família.
  • É verde
    Marina Silva alia visão da qualidade de vida com a necessidade da preservação ambiental. É uma das 50 personalidades que podem salvar o planeta, de acordo com o jornal britânico The Guardian.
  • Tem capacidade de gestão
    Tranquila, mas firme, Marina Silva possui enorme competência. Foi sob sua batuta no governo Lula que o país diminuiu de forma drástica o desmatamento na Amazônia. O Brasil não precisa de gerente. Precisa de uma líder com visão de futuro, como Marina Silva.
  • Tem equipe
    Desde seu primeiro cargo, Marina Silva sempre se cercou de pessoas inteligentes, modernas e eficientes. É um imã de pessoas honestas e boas.Marina atrai competências.
  • Nova forma de governo
    Marina Silva não governa com apaniguados nem sob a influência das indicações políticas. Sabe ouvir, governa com a ajuda de especialistas, de técnicos. Pretende unir no governo o lado bom de cada administração pública.
  • É sucessora
    Marina Silva integra os avanços dos governos FHC e Lula.É o passo adiante para superar as deficiências que persistem no país.Não é uma opositora, que rejeita tudo, nem uma continuadora, que vê tudo positivo.É uma sucessora.
  • Combate ao desperdício
    Marina Silva tem história para combater a corrupção, para acabar com o loteamento dos órgãos públicos, para acabar com o desperdício do dinheiro público, do capital humano, das oportunidades, dos recursos naturais.
  • É mulher
    Marina Silva está em sintonia com o século 21. Ela acolhe e estimula o diálogo. É um novo modelo de liderança, que integra razão e emoção. Será a primeira mulher a cuidar do Brasil.